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Mais de 50% dos acessos do Google são por celulares. Desde quando Mobile SEO é importante e quais preocupações você deve ter?

Começando do começo: O que é Mobile SEO?

Mobile SEO é um conjunto de estratégias que um proprietário de site ou aplicativos deve seguir para ter seu site mobile bem visto pelos buscadores. Essas estratégias agregarão acessibilidade, usabilidade, rastreabilidade, velocidade e outros fatores de experiência do usuário como qualidade de conteúdo e qualidade do produto / serviço. Vamos detalhar tudo abaixo.

Rastreabilidade

Para começar, o seu site deve ser no mínimo rastreável. Aqui nós vamos nos preocupar com as meta-tags noindex, nofollow. De nada adianta você ter um site maravilhoso, com um produto maravilhoso a um preço maravilhoso se os buscadores não tem permissão para te indexar.

Apenas explicando os significados das meta-tags:

  • noindex: informa ao buscador que não quer que a página seja indexada. Ou seja, se você puser um noindex na Home do seu site, ela não indexará.
  • nofollow: informa ao buscador que os links daquela página não devem ser seguidos. Se você tiver um nofollow na página de lista de produtos, o crawler não vai conseguir passar da listagem para a página de produtos naturalmente. Aí você precisa ainda mais de um sitemap.xml.

Comportamento semelhante pode ser criado no robots.txt (arquivo responsável pela “portaria” do seu site);

  • disallow: informa ao buscador que não quer que a página seja RASTREADA. Ela pode ser indexada, mas provavelmente perderá muita performance e só aparecerá para termos branded (e olhe lá);

Você pode e deve utilizar essas tags se souber como fazê-lo. Evite indexar páginas repetidas ou com conteúdo muito parecido, por exemplo. Mas, na medida do possível, deixe seu site rastreável para que o buscador possa fazer a parte dele.

Se você quiser ver mais informações sobre a taxa de rastreamento do seu site, acesse o seu Google Search Console e, dentro de Rastreamento, clique em Estatísticas de Rastreamento e faça uma análise do seu site. O site abaixo, de um cliente nosso, está com uma saudável taxa de 316 páginas rastreadas por dia (sendo que ele tem 400 artigos publicados).

Rastreamento Google Search Console

Seção Estatísticas de Rastreamento do Google Search Console

(você pode ver mais sobre esses termos técnicos no Glossário SEO)

Acessibilidade

Para falar de Acessibilidade é importante dizer que ela não é apenas online. Uma rampa para cadeirantes é um exemplo clássico e antigo.

Agora que seu site é encontrável, vamos começar a pensar se ele é acessível. E, para pensar em Acessibilidade não é tão simples quanto pode parecer. Vamos filosofar sobre alguns aspectos aqui para refletir como acessibilidade é importante:

  1. Quais dificuldades ele pode ter?
    Em determinados momentos do dia um usuário do seu site pode ter dificuldades diferentes. Digamos que você tenha um site para pais de primeira viagem. Agora eu gostaria que você imaginasse um pai, segurando um bebê e pesquisando ” como fazer mamadeira” dentro do seu site. O bebê está chorando e, por mais que a informação seja essencial para ele, você precisa entregá-la rapidamente. Como você pode solucionar isso? Bem, eu vejo algumas maneiras:
    a) tendo uma busca por voz no seu site. Assim, com um toque na tela ele começa a falar e já interage com seu site sem precisar usar os dois dedões para digitar.
    b) categorizando de várias formas seu conteúdo. Um pai desesperado não pensa da mesma forma que um usuário que está em um funil de vendas, encurralado por um perfil que você definiu previamente. Você poderia categorizar o post da mamadeira em [alimentação, [Cuidados Iniciais], [Dicas Para a Primeira Semana] e [Cozinha]. Todos os caminhos levam à Roma.
    c) criando um CRM. Crie uma régua de e-mails que envia periodicamente dicas que outros pais já queriam naquela semana pós-nascimento. Na primeira semana os problemas sempre são esses. Na segunda semana passam a ser esses. Assim você se antevê aos problemas do usuário e ele vai se lembrar de você como uma empresa competente e alerta para a vida dele.
  2. Quais necessidades ele tem?
    Aqui podemos falar tanto de necessidades especiais quanto de necessidades físicas comuns. Eu, por exemplo, uso óculos. Nunca comprei um óculos pela Internet porque, por incrível que pareça, as informações estão em letras muito pequenas ou as fotos estão em qualidade muito baixa. Isso faz com que eu não tenha acesso à informação, seja ela qual for. De nada adianta ficar em primeiro no Google para óculos nesse caso.Em necessidades especiais o tópico Acessibilidade se estende por vários tópicos. Deficiência motora, visual, auditiva, cognitiva e por aí vai. Cada grupo desses tem uma série de adaptações que precisam ser feitas. Se você acha que são poucas pessoas, no Brasil são 6,2% da população com algum tipo de deficiência. Essas pessoas poderiam ser suas clientes. Poderiam. Se o seu site mobile pensasse em SEO.
  3. Qual é o momento da vida dele?
    Seguindo o exemplo de pai de primeira viagem, você sabia que 78% das pessoas que compram carros Sedan foi porque tiveram o primeiro filho? Com cadeirinha, brinquedos, mantas, mamadeiras, cobertas, papel higiênico, fraldas e mais a mudança diária que um bebê traz consigo, parece óbvio que um porta malas maior é uma boa ideia. Mas uma pessoa só precisa do que ela precisa quando precisa, não adianta empurrar antes.
    Pensando nisso, seja acessível para seu público trazendo informações que alinhem com a expectativa da persona para quem você está escrevendo.

Usabilidade

Um dos tópicos mais importantes para Mobile SEO, Usabilidade é a facilidade de um usuário encontrar a informação pela qual ele procura. Sem pop-ups, pop-unders, formulários piscando na tela, texto muito pequeno ou muito grande. A informação que está no Desktop vai para o Mobile e só. Seria simples se fosse assim:

conteúdo no mobile

Como o seu conteúdo deve aparecer no mobile

Mas não. Quanto mais intersticial, pop-up e formulário tiver em uma página, parece que é melhor. Provavelmente essas técnicas de Inbound Marketing podem ser utilizadas de forma menos agressiva, mas isso é assunto para outro post.

Em Usabilidade vamos tratar da dificuldade que um usuário tem em consumir seu conteúdo. Aliado com Acessibilidade, o fator Usabilidade tenta trazer clareza para seu usuário e pode se basear em alguns passos importantes:

  • facilidade de aprender: se é a primeira vez que um usuário acessa o seu site, qual a dificuldade que ele terá em realizar uma compra? Essa dificuldade é proporcional ao valor agregado da mesma? Você não pode vender uma casa em 3 cliques, mas talvez possa facilitar o processo para quem apenas quer fazer o download de um e-book.
  • funcionalidade: na falta de uma palavra melhor, é quão funcional o seu site ou serviço se mostra. Sabendo o que precisa fazer, o cliente consegue? Por exemplo, ao digitar o campo do CPF, o site já preenche os pontos automaticamente? E isso funciona com maestria ou dá erros no mobile?
  • recorrência: um cliente antigo que volta ao seu site vai encontrar tudo diferente? Se sim, a mudança é para melhor ou ele vai ter que recomeçar o processo como um todo? O que lhe vale ser um cliente recorrente?
  • erros: é normal que aconteçam, mas o que acontece quando eles acontecem? Você redireciona para uma página fria ou tem algo relacionado com o caminho do usuário?
  • satisfação: além de realizar uma tarefa, é gostoso utilizar seu site, serviço ou produto? Cada descoberta realizada traz prazer ou alívio para seu cliente? Se for prazer, você está no caminho certo. Se for alívio, pode ser que ele esteja prestes a desistir de você.

Experiência do Usuário

Englobando Acessibilidade e Usabilidade temos Experiência do Usuário. Geralmente abreviada para UX (User eXperience), é a disciplina que faz com que toda a teoria de Acessibilidade e Usabilidade tenham retornos práticos para um cliente. A Experiência do Usuário geralmente é delimitada em aspectos do site, mas tal qual Acessibilidade e Usabilidade, é maior do que a Internet e afeta a Internet inteiramente.

Um exemplo disso é a recente ação truculenta da United em retirar, forçadamente, um passageiro de um de seus aviões após praticar overbooking. As ações caíram mais de 1 bilhão de dólares em um dia e, mesmo que vários usuários não tenham sido diretamente afetados, podemos ver a experiência de quem tem que pegar um vôo com a United agora foi prejudicada.

 

GIF’s a parte, a Experiência do Usuário é todo sentimento que ele tem no momento que tem qualquer contato com a sua marca.

Se sua embalagem é difícil de abrir, isso pode ser irritante para uma pessoa comum. Mas, para um portador de dificuldades motoras pode se tornar um impeditivo de compra. Se você quiser testar como um deficiente visual acessa o seu site, faça o download do Jaws. Ele é um leitor de tela para deficientes visuais, que, em resumo, lê o que a tela mostra para o usuário. Como são muitas informações, você navega utilizando a tecla TAB e vai sofrendo lentamente porque nada faz sentido.

Velocidade

A velocidade é importante para SEO e fundamental para mobile SEO. Geralmente em qualidades de conexão menores, um usuário mobile tende a sair do site em menos de 3 segundos se não houver nada em sua tela até lá. Ou seja: em um 3G porcaria do Brasil, o seu site tem que carregar rápido.

Por isso, não perca o tempo de ninguém com pop-ups, formulários e imagens à toa no mobile. Tenha um site clean e que passe o conteúdo claramente logo no começo da navegação do usuário.

Pense também em aproveitar momentos que o usuário tenha conexão ativa para baixar arquivos para o cache do seu celular em um Progressive Web App (veja alguns exemplos em pwa.rocks). Assim ele pode usufruir do seu conteúdo mesmo estando offline.

Qualidade de Conteúdo e do Produto

Se você acha que a qualidade do produto não influencia seu SEO, eis alguns motivos pra eu discordar:

  1. sinais sociais
    quando seu produto é bom e você posta algo no Facebook, muita gente curte apenas pela simpatia que tem com a marca. Veja a Fan Page do Nubank, por exemplo.
  2. referências
    peça para que seus clientes deixem referências sobre sua empresa no Google My Businness. Isso vale muito para SEO local.
  3. indicações
    o marketing mais antigo do mundo, o boca a boca ainda é grande parte da decisão de compra de alguém.
  4. blogs
    se o seu produto é bom, bloggers vão falar dele espontaneamente. Se for muito ruim também, mas aí ninguém vai querer comprar.
  5. comentários
    tanto on quanto offline, bons produtos geram comentários. E quanto mais comentários a mesma pessoa faz, mais perto ela chega de se tornar um advogado de marca.
  6. advogados de marca
    um fenômeno interessante tem ocorrido na página do Prefeito de São Paulo, João Dória. A equipe dele nem precisa mais proteger a índole dele, já que os próprios fãs da página fazem o serviço.

Agora vamos à pergunta principal do post: quando Mobile SEO se tornou importante?

Dez anos atrás (10 de Junho de 2007!) Steve Jobs revolucionou o mundo com a invenção do iPhone. Por mais que já houvesse Internet em celulares antes, era praticamente inviável possuir internet no celular e entender o que estava acontecendo ali. Na época, os planos de dados eram mínimos e os planos de voz e mensagens gigantescos. Hoje vê-se justamente um movimento contrário, em que as pessoas praticamente descartam a necessidade de telefonar e preferem ligar pelo WhatsApp (o famoso #vemdezap).

Agora, vamos refletir sobre como o smartphone trouxe importância para uma estratégia mobile na criação de um site e porque, mesmo com um grande delay por parte dos desenvolvedores.

Em 2007 nós já víamos possibilidade de vender pela Internet. Em 2007 foram vendidos 120 milhões de smartphones.

120 milhões de celulares no mundo? Hoje, só no Brasil, já temos mais.

Se você acha isso proporcionalmente pouco, saiba que em 2007 havia 1,3 bilhão de usuários na Internet. Ou seja, em uma conta rápida, podemos perceber que 10% dos usuários de Internet poderiam ter smartphones. Na época, isso era um belo oceano azul.

 

Mas, mesmo com essa oportunidade toda, o mercado de Marketing Digital não se preparou para vender para celulares. Na época, a velocidade das conexões não era tão boa e não se via como uma janela interessante de vendas ter um site otimizado para mobile. Assim, era comum que se investisse mais nos sites em Desktop em Flash, pois permitiam mais personalização (nem HTML5 havia).

Pois bem, o tempo passou e os sites mobile continuaram desvalorizados. Algumas poucas companhias possuíam, mas nada que fizesse o mercado se mover rumo à revolução mobile que viria em 2015. O Google, buscador com maior marketshare no mundo, anunciou que sites que não possuíssem versão mobile até dia 21 de Abril de 2015 seriam demovidos do índice mobile. No Desktop nada aconteceria, mas nessa altura a proporção de acessos mobile já rondava os 40% de grandes sites e perder essa fatia do mercado não era interessante para ninguém.

Eis que começa o Mobileggedon

O mercado resolveu chamar de “o Armageddon Mobile” essa postura do Google. Um Deus que me acuda tomou conta de todos e uma piracema de sites mobile ruins apareceram. A única missão era conseguir a tag “mobile-friendly” na SERP do Google. Veja que não se pensava no usuário e no benefício que a empresa teria. O único agradado aqui é o Google em sua imponente posição de ameaçar isso.

Chegou o dia 21 de Abril e o que aconteceu? Nada de estrondoso.

Quem não tinha site mobile ainda estava roendo as unhas, enquanto quem tinha estava com o rei na barriga. Mas de nada adiantou. O algoritmo foi lento e isso gerou certa revolta. Lembro bem de alguns clientes reclamando que pagaram muito mais por um site mobile no subdomínio m.dominio.com.br porque nós como consultoria havíamos avisado que a perda seria grande. A outra agência não conseguira entregar o site a tempo e como nada aconteceu, nós ficamos descreditados.

Pouco tempo depois veio a primeira marolinha. Alguns posts rodavam pela Internet dizendo que perceberam um impacto em suas SERP’s, mas nada que valesse a correria que tinha acontecido.

Enfim, para o mercado, o “Mobilegeddon” foi o início da importância do Mobile SEO.

E como ficou o mundo pós apocalíptico?

Apesar de o Google ter começado a avisar os webmaster com mais de um ano de antecedência, percebeu-se um grande grau de amadorismo por parte dos desenvolvedores que tentavam adaptar sites desktop para mobile. Nasceu e morreu o “mobile only” que pregava que os sites deveriam ser desenvolvidos apenas para mobile e, trabalhando com porcentagens, se adaptariam ao Desktop de forma esticada.

Alguns meses depois do fatídico Abril, o cenário começou a mudar para o SEO Mobile. Grandes marcas que ainda não haviam se adaptado começaram a sumir das buscas mobile e o sensores de mudança de SERP começaram a apitar. Mas ainda apitavam baixinho. E, no Brasil, como sempre, a atualização veio só depois de ser amplamente discutida nos EUA (o que nos dá tempo de preparação e isso é bom).

Agora, com a certeza de que o apocalipse realmente estava vindo, começou-se a pensar em sites responsivos, adaptativos ou em URL’s separadas. O Google já vinha com um bom material escrito então facilitava bastante para os Webmasters correr atrás do prejuízo.

Quem se adaptou, se deu bem. Quem não correu atrás, ficou pra trás.

Agora o que está em voga no SEO para Mobile?

Muito se fala de páginas AMP (Accelerated Mobile Pages) e no benefício que elas tem nas SERP (Search Engine Result Pages). Aborda-se também a importância de ter um especialista em usabilidade mobile nas equipes de SEO, haja visto que o tráfego de dispositivos móveis já ultrapassou o tráfego de computadores, tablets e notebooks.

E a promessa é que no ano de 2017 haja uma inversão de algoritmos: o Mobile-First Indexing. Basicamente, o mobile first indexing é uma mudança na forma como o Google rastreia, analisa e ranqueia as SERP’s.

Antes a SERP Desktop era composta pelos melhores resultados para Desktop e a SERP Mobile seguia basicamente a mesma ordem, só removendo ou demovendo resultados muito ruins em usabilidade, velocidade e UX.

Agora, com mais tráfego mobile, o Mobile-First Indexing inverte essa ordem. Primeiro o Google analisa o site mobile, com seu conteúdo, UX, usabilidade e velocidade. Faz a ordenação dos resultados na SERP e repete a ordenação para o Desktop. Caso seu site seja apenas Desktop, grandes chances de você perder bastante tráfego do Google em 2017.

Enfim, espero que você tenha gostado desse artigo e que interaja com ele. Comente abaixo como foi sua mudança para o mundo do Mobile SEO e o que você queria ter visto nesse artigo!